Autocontrole, curiosidade e esforço fazem diferença na hora de aprender. Veja como trabalhar competências como essas na sua aula

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Quando as emoções entram no currículo

Por: Bruna Nicolielo


Fantoches ajudam as crianças a expressar suas emoções no CEI Inês Belarmino, em Petrópolis (RJ) (Foto: Manu Vasconcellos)

Curiosos, persistentes, organizados, criativos, autônomos: com frequência, essas são algumas das características presentes nos alunos considerados os melhores da classe. A gente sabe que nem sempre elas são trabalhadas intencionalmente em sala de aula. Mas isso está mudando. Nos últimos anos, ganhou espaço o movimento que defende as competências socioemocionais e incorpora as aprendizagens sobre as emoções e habilidades sociais ao dia a dia da escola.
A influência das socioemocionais cresceu com a produção de pesquisas em áreas diversas, da Educação à Economia e a Psicologia. Elas mostram aquilo que já sabíamos, mas faltava comprovar com análises rigorosas. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, sigla em inglês)) - que desde 2015 investiga a influência de competências não cognitivas - reenfatizam a relação na vida escolar: mais autoconfiança, motivação e expectativas levam a um melhor domínio da língua materna, por exemplo. "O fato de alguém ser curioso intelectualmente e gostar de aprender não tem reflexo só na Educação mas também na carreira e na vida", ressalta o psicólogo Filip De Fruyt, professor na Universidade de Ghent, na Bélgica, e pesquisador do eduLab21.
Estudos brasileiros também atestam a importância dessas competências. Alunos mais responsáveis, focados e organizados aprendem em um ano letivo cerca de um terço a mais de Matemática do que os colegas. Essa conclusão foi tirada de uma pesquisa do Instituto Ayrton Senna (IAS), realizada em 2013 com 25 mil estudantes avaliados pela Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Já o desempenho em Língua Portuguesa foi melhor entre quem tinha maiores níveis de abertura a novas experiências, mesmo se vinha de famílias menos favorecidas. "As evidências sugerem que as competências socioemocionais podem ser ensinadas nas disciplinas convencionais se o currículo explicitar tais habilidades", diz Simone André, psicóloga e gerente executiva do IAS.
Esse movimento está crescendo no mundo. Em maio deste ano, especialistas de 24 países discutiram em Paris quais habilidades os estudantes deveriam ter no futuro próximo. Foi a primeira reunião da iniciativa Education 2030, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os objetivos são desenvolver uma estrutura de aprendizagem relevante para 2030, estudando as competências e fazendo análises comparativas entre currículos internacionais.
Se essa temática ainda não chegou à sua escola, deve aportar em breve. A versão atual da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) defende o desenvolvimento integral dos estudantes, não apenas a aprendizagem de conteúdos. Nessa perspectiva, as socioemocionais devem ser estimuladas enquanto se trabalha os saberes curriculares com a turma. Elas estão citadas nos itens que compõem as competências gerais e também nas específicas. Em Matemática, por exemplo, estão listados tópicos como: enfrentar situações-problema; investigar, organizar, representar e comunicar informações relevantes, para interpretá-las e avaliá-las crítica e eticamente; agir individual ou cooperativamente com autonomia, responsabilidade e flexibilidade; interagir com seus pares de forma cooperativa; sentir-se seguro da própria capacidade de construir e aplicar conhecimentos matemáticos, desenvolvendo a autoestima e a perseverança na busca de soluções.
Repare que cada palavra destacada no parágrafo anterior é um atributo que pode ser encaixado em um dos cinco eixos socioemocionais: Abertura ao novo, Consciência, Extroversão, Amabilidade e Estabilidade emocional. Vale lembrar que essa é apenas uma das formas de organizar essas qualidades, também chamadas de traços de caráter, ou pelo termo soft skills, ou habilidades "suaves". Elas fazem contraponto às hard skills, as "duras" e relacionadas à cognição, ou seja, à capacidade mental de adquirir conhecimentos, ideias e experiências. Outras competências importantes, como a criatividade e o pensamento crítico, são chamadas de híbridas, pois entrelaçam elementos cognitivos e socioemocionais. Para quem toda essa nomenclatura soa como modismo educacional, vale relembrar que esses aspectos sociais e emocionais estiveram no centro da reflexão de pensadores clássicos da Educação, como Lev Vygotsky (1896-1934), Jean Piaget (1896-1980) e David Ausubel (1918-2008). Ao elaborarem seus conceitos, eles defenderam, por exemplo, que a interação, a curiosidade, a relação do eu com o mundo e com o outro e a disposição para alcançar objetivos são instâncias fundamentais da aprendizagem.

Em sala, como fazer

Não existe fórmula mágica, e sim intencionalidade na prática. No Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, a professora de Matemática Denise Oliveira organiza suas aulas com as turmas de Ensino Médio em torno da resolução de problemas. Ao propor os exercícios, ela valoriza as diferentes estratégias e a comunicação delas. "Compreender e fazer-se compreender é um aprendizado importante, que pode ser generalizado para outras disciplinas", diz a docente, que dá autonomia aos alunos para escolherem, na problemateca - um arquivo de situações-problema -, qual item preferem resolver.
Maria Vitória Almeida Santos entrou no 1º ano do Ensino Médio da Chico Anysio há seis meses. "Antes eu não tinha o hábito de fazer cálculo mental, mas agora tento usá-lo o máximo possível. Gosto de ajudar e ser ajudada pelo grupo. Interagimos muito", conta a adolescente de 15 anos, que quer ser engenheira civil. Desenvolver a atitude protagonista, a fé na própria capacidade, a abertura para experiências e a comunicação são intenções integradas à rotina das 40 escolas do Programa Ensino Médio Inovador (Proemi) apoiadas pelo IAS no Estado do Rio de Janeiro. "É preciso reavaliar o mito de que o aluno não é esforçado. Nosso modelo de Educação é que desconsidera seu potencial", afirma Simone, do IAS.


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